
Pois é…
A gente ri das piadas sobre os serviços de atendimento ao público, até o momento em que se vê inserido no contexto. Não é nada engraçado…
Estive na agência do INSS da Tijuca, para encerrar minha solicitação da Certidão de Tempo de Contribuição para aposentadoria, que dei início em março de 2007, para pedir o período de trabalho anterior ao da minha instituição atual. É isso mesmo – você não leu errado – março de 2007.
Nesta data, agendei, pelo telefone, para setembro de 2007, o atendimento na agência Tijuca. Quase 6 meses depois.Em setembro, fui na agência e estartei o processo. Lá, me orientaram para voltar e pegar a Certidão, em 2 meses. Bobinha…
Dois meses, três meses, quatro meses, cinco meses, seis meses.
Cansei!
Desisti de esperar e iniciei o processo para aposentadoria na minha instituição, sem esperar aquele tempo anterior.
O processo correu e fiquei sabendo que só poderia me aposentar em 7 de fevereiro de 2011, por causa da idade ainda insuficiente, mesmo já tendo mais de 30 anos de serviço público. Sem espernear. Espernear prá que? Não vai adiantar nada, além de me acrescentar mais linhas de expressão (nunca, rugas – jamais!).
Passou o tempo.
O tempo passou.
No dia 28 de agosto de 2008, um ano depois, recebi um telefonema da agência do INSS da Av. Presidente Vargas, pedindo que eu lá comparecesse, para tomar ciência de que tinham sido registrados mais 2 anos, 4 meses e 11 dias, no meu tempo de contribuição.
Legal!
Que boa notícia!
Depois de lançado nas contas de acerto: Idade X Tempo de contribuição, eu ganharei, pelo menos, 1 ano para antecipar minha aposentadoria. Ou seja – 7 de fevereiro de 2010.
Oba!!!!!!!!!!!
Fui lá, no dia seguinte, 29 de agosto de 2008.
Tomei ciência e o rapaz que me atendeu, me disse que teria de enviar o processo de volta para a unidade em que eu havia dado entrada. Ou seja, a da Tijuca.
- Dentro de 1 semana, a senhora pode voltar lá e pegar a certidão, porque só falta a assinatura da gerente da unidade; disse o rapaz.
Ledo engano…
Deixei, intencionalmente, passar mais tempo e só voltei ontem, dia 16 de setembro de 2008.
Foi, então, que começou a minha viagem ao reino das trevas, qual Dante, descendo ao reino de Hades.
Geeeeiiiiinteeeeiiiin! Ficar lá por horas, como fiquei, faz muito mal a qualquer pessoa.
O sistema de atendimento por senhas é muuuuuuuiiiiiito confuso. São letras e números, de acordo com o tipo de atendimento solicitado (perícia médica, contagem de tempo, benefícios). Por exemplo: a minha senha era D 0131. Pode, então, ter o mesmo número, com letras diferentes. E se você acha que os atendimentos eram chamados em ordem, nananinanão! Pulavam de 2 em 2; de 5 em 5. Iam para frente, voltavam. Uma doideira!
Isso, para mim, que me tenho em alta conta, já ficou difícil de acompanhar. Imaginem para as senhorinhas de idade avançada que lá estavam, que nem conseguiam enxergar os números na tela de senhas.
Enquanto isso…
Enquanto esperava, dedicando-me, para manter a calma e a sanidade mental, a um de meus já tradicionais trabalhos manuais. A cada voz mais alta; a cada humilhação e constrangimento; a cada reclamação, de ambas as partes; eu dava um pooooonto loooooongo…
Eu sei que deve ser bem cansativo atender tanta gente, com tantas queixas e lamúrias, todos os dias. Mas, é o trabalho deles. Que se vai fazer?
Por via de regra, os que lá estão, ou são idosos, ou doentes, com problemas, ou necessidades importantes. Ninguém vai lá, de brincadeira.
Alguns nem sabiam, sequer, escrever. Uma senhora recebeu uma resposta, dada em voz bem alta, de forma que todos que lá estavam pudessem ouvir, que:
- Se não sabe escrever, tem de pedir ajuda à Dra. Assistente Social. Tem de agendar horário e dia para isso; disse a atendente estressada.
Outros não entendiam os prazos estipulados pela legislação, ou não entendiam o que os funcionários falavam. Qual pitonizas, falavam em códigos e leis, de entendimento duvidoso. Diziam que no sistema informatizado, de última geração, constavam informações, que divergiam do que as pessoas diziam. A culpa é sempre do sistema. Quando a gente sabe que depende de quem o alimenta.
Pessoas com fome, cansadas, perdendo dinheiro de passagem, tempo de trabalho (como eu, que terei de pagar essas horas, só Deus sabe como).
Apareciam pessoas deformadas ou com doenças indescritíveis. Parecia a emergência de um hospital público.
Idas e vindas. Fome. Mal-entendidos. Mal-explicados. Má-vontade. Humilhação. Constrangimento. Medo.
Uma bomba-relógio prestes a explodir.
Um pesadelo.
Mas, e o meu processo. Que fim levou?
Quando fui chamada, descobri que o tempo tinha, realmente sido concedido, porém, o processo ainda não havia chegado da agência Presidente Vargas.
Deve estar vindo no lombo de mulas, como nos tempos coloniais.
Liguei para a Presidente Vargas.
Realmente, o processo ainda estava lá.
Desculpas. Desculpas. Desculpas.
- Não sei o que aconteceu. Vou pedir para levarem, amanhã mesmo. Pode voltar na tijuca, dentro de 2 dias que estará pronto e assinado; disse o rapaz responsável.
Duvido.
Em todo caso, vou esperar até o início de outubro, para voltar lá.
Ninguém merece INSS 2 vezes no mesmo mês.
Chega por hoje!
Os manterei informados.
Lili Machado
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