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{setembro 17, 2008}   A ARTE CONTEMPORÂNEA AMERICANA INVADE O CASTELO FRANCÊS DO REI SOL

koons111O escultor Jeff Koons ganha mostra em Versalhes e causa controvérsia

Elaine Sciolino – O Globo, sábado, 13/9/2008 – 2o caderno – última página

Uma lagosta vermelha de alumínio está pendurada no teto, ao lado de um candelabro de cristal, no Salão de Marte. Uma vitrine cheia de aspiradores de pó e polidores de piso, fica bem em frente ao retrato oficial de Maria Antonieta. E uma loura d peito nu e boca aberta, segurando uma pantera cor-de-rosa, parece rir de uma pintura de 1729, em que Luiz XV decreta a paz na Europa: os EUA invadiram os salões dourados e os jardins esculpidos do Castelo de Versalhes, através de uma polêmica exposição do artista Jeff Koons.

Escultor se diz “encantado” com a iniciativa – “É o ponto alto da minha carreira”.

Nos últimos anos, alguns trabalhos de artistas contemporâneos foram exibidos em Versalhes, mas, sempre de maneira discreta. A coleção de 17 esculturas de Koons marca a primeira vez em que o castelo construído no reinado de Luiz XIV é anfitrião de uma retrospectiva tão ambiciosa e completa.

É claro que nem todos ficaram felizes com a iniciativa. Dezenas de pessoas protestaram nos jardins do palácio no dia da inauguração, em um ato organizado pelo Sindicato dos escritores da França, um grupo de direita dedicado à pureza artística na França. – “Essa exposição é um golpe no coração de uma civilização. É um ultraje para Maria Antonieta.”- Arnaud-Aaron Upinsky.

Em uma entrevista coletiva, Koons elogiou a “abertura” da França, ao expor a arte de um americano em Versalhes. – “Todos os trabalhos dialogam com o cenário. A lagosta no salão dedicado a Marte, o deus da guerra, por exemplo, refere-se a tempos medievais. Os desenhos na lagosta quase representam chamas e fogo. Assim como a sensação de que se você ficar à vista do público, por muito tempo, seu destino pode ser esse.”

Koons negou que as instalações tenham sido um gesto de arrogância. – “Não teve nada a ver com o meu ego, mas com alegria e co uma monumentalidade contemporânea.”  Justificou a coleção de aspiradores de pó entre retratos de mulheres da família real francesa, na antecâmara da rainha, com a afirmação de que aspiradores “são como ventres”.

Nem todos os visitantes pareceram satisfeitos com a presença das esculturas. – “Paguei para ver tudo em Versalhes”, – disse a canadense Sylvie, irritada com a interdição de algumas salas, por causa da instalação das esculturas – “Não vim aqui ver uma lagosta vermelha que posso comprar em um posto de gasolina em Quebec, para usar na minha piscina.”

Eu, Lili, não gostei da idéia. Se, pelo menos, ele se justificasse, dizendo ser tudo uma grande piada com o formalismo francês, seria interessante. Mas as justificativas que ele usou fizeram com que tudo ficasse pior.



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